Dólar sobe: Orçamento, Lula e inflação EUA

Dólar em Alta: Análise da Situação em 29 de Agosto
Nesta sexta-feira, 29 de agosto, o dólar americano abriu em alta frente ao real brasileiro, registrando um aumento de 0,38%, cotado a R$ 5,428. Embora tenha apresentado essa alta diária, é importante observar o contexto maior: a moeda americana acumula perdas significativas no mês e no ano. Especificamente, o dólar acumula uma queda de 3,47% em agosto e de 12,52% em 2025 em relação ao real.

Contraponto: Ibovespa em Ascensão
Em contraste com a alta do dólar, o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, fechou em alta de 1,32%, atingindo 141 mil pontos. Esse resultado representa a segunda maior pontuação de fechamento da história do índice, com um recorde intraday ainda maior, de 142.138,27 pontos. O índice acumula ganhos expressivos de 6% no mês e 17,26% no ano. Essa disparidade entre o desempenho cambial e o desempenho da bolsa demonstra a complexidade do cenário econômico atual.
Orçamento 2026: Projeções do Governo Lula
Um dos fatores que influenciam o mercado é o envio do Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2026 ao Congresso Nacional. O governo Lula projeta um superávit primário de 0,25% do PIB (R$ 34,3 bilhões), uma mudança significativa após dois anos com meta de superávit zero. O limite total de despesas é de R$ 2,43 trilhões, sendo R$ 2,33 trilhões destinados ao Poder Executivo. O governo também estima arrecadar R$ 118 bilhões extras em 2026 por meio de medidas de fiscalização tributária. A aprovação da Lei Orçamentária Anual (LOA), baseada no PLDO, é crucial para definir os gastos do governo federal no próximo ano e impactará diretamente a economia brasileira.
Implicações do PLDO para o Mercado
A expectativa em torno da aprovação do PLDO e a forma como o mercado reage a essas projeções de gastos e receitas influenciam diretamente o valor do dólar. Um cenário de incerteza fiscal pode levar a uma maior demanda por dólar, enquanto um cenário de maior confiança na gestão fiscal pode fortalecer o real.
Lei da Reciprocidade e Tarifas Americanas
A decisão do governo Lula de iniciar consultas para aplicar a Lei da Reciprocidade em resposta às tarifas impostas pelo governo Trump sobre produtos brasileiros também repercute no mercado. Os EUA impuseram uma tarifa de 50% sobre grande parte das exportações brasileiras em julho. O Itamaraty acionou a Camex (Câmara de Comércio Exterior), que tem até 30 dias para avaliar se a tarifa se enquadra na lei, que prevê ações proporcionais contra decisões unilaterais que prejudiquem a competitividade brasileira. Este processo, porém, pode ser demorado e sua resolução incerta.
Possíveis Impactos da Lei da Reciprocidade
A aplicação da Lei da Reciprocidade pode gerar impactos significativos na balança comercial entre Brasil e EUA, afetando o fluxo de capitais e, consequentemente, o valor do dólar. A incerteza quanto ao resultado desse processo contribui para a volatilidade do mercado cambial.
Inflação nos EUA e a Decisão do Federal Reserve
No cenário internacional, a inflação de consumo nos EUA (PCE) em julho é um fator crucial para o mercado. As estimativas apontam para 0,2% (mensal) e 2,6% (anual), mantendo-se estável em relação a junho. Este dado é fundamental para o Federal Reserve (Fed) definir sua política de juros. O Fed manteve os juros entre 4,25% e 4,5% em sua última reunião, mas a expectativa é de uma redução de 0,25 ponto percentual em setembro.
Impacto da Inflação Americana no Dólar
A expectativa de redução dos juros nos EUA pode levar investidores a buscarem retornos maiores em outros mercados, incluindo o brasileiro, o que poderia fortalecer o real e reduzir o valor do dólar. No entanto, outros fatores, como a trajetória da inflação americana e a saúde da economia global, podem influenciar essa dinâmica.
Conclusão: Fatores Interligados Influenciam o Valor do Dólar
Em resumo, a valorização do dólar hoje reflete uma complexa interação entre fatores domésticos, como a expectativa em torno do orçamento e a resposta à política comercial americana, e fatores externos, como a inflação nos EUA e as decisões do Federal Reserve. Acompanhar esses indicadores é fundamental para entender as flutuações cambiais e o desempenho da economia brasileira.
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